AS
AVENTURAS DO SUPER-ATEU
Saga DECLÍNIO
Episódio 24- VONTADE DE POTÊNCIA
Olá fãs do super-Ateu. O episódio de hoje inicia a seqüência final da
saga "Declínio", mas, como é de praxe, farei um resumo dos episódios
anteriores à este: Small volta a sua vida normal no pós- EPIDEMIA. Mas algo
está diferente e apenas George, o super-Ateu, percebe. Seu mundo começa a cair
quando descobre que tem uma anomalia no seu código genético, mal sabe ele que
está com CANCER. Um bilhete misterioso lhe convoca a uma missão a ser executada
em 7 dias. Já estamos no dia 6 depois do ocorrido e muita coisa já aconteceu. A
contagem regressiva começou.
Um carro negro.
Parado em frente a um prédio abandonado.
Dentro...
...15 homens de terno estão enfileirados. Metralhadoras.
5 metros à frente...
...37 homens. Caucasianos, carecas e usando jaquetas com suásticas nas
costas. Armas de todos os tipos. O clima é tenso. Um dos engravatados discursa.
_ ...Olha... nós estamos perdendo a paciência com vocês...desde bem
antes da GRANDE PESTE que somos donos da área...e vocês estão invadindo.
_ Olha você, ô engomado!_Ele masca um chiclete enquanto fala. Parece
ser o líder._Vocês são uns perdedores, tá sacando? Nós somos a nova onda, o
mundo inteiro vai saber quem a gente somos. E vocês tratem de ralá peito, senão
viram penêra, falou?
_hmn. Então...tá. Vamos._ Os homens de terno se entreolham e dão as
costas.
_Vão mesmo, boiolas! E se se meterem com a gente, a gente frita vocês!
Eles ouvem a algazarra enquanto descem as escadas, em silêncio, até que
o da frente diz:
_Soltem o júnior.
Dentro...
_aí, parceiro! Botamo eles pra correr! Também, somos um monte e
eles--QUE PORRA É ESSA?!
Uma cabeça vem rolando e bate nos seus pés. Todos se viram para a
porta. Um monstro de 4 metros segura um corpo que jorra sangue. Por instinto,
todos atiram na criatura sem piedade, em todas as partes. O barulho é
ensurdecedor, a fumaça toma conta e do lado de fora as pessoas correm. O prédio
está sendo todo furado por balas. Eles param. O líder faz sinal pro seu
imediato ver o que restou da criatura, pois não dava pra ver quase nada.
Segundos depois o imediato vem voando de encontro à parede. Um borrão cinza vem
jogando pessoas pelas janelas, arrombando paredes e os tiros recomeçam. O pouco
que se consegue ver é uma criatura jorrando sangue e arrancando braços como se
fossem membros de bonecos. Ela cambaleia a cada tiro que leva e QUASE sente uma
marretada certeira nas costas. Abre-se um buraco mas, assim como todos os
buracos feitos pelas balas, eles fecham, para o espanto de todos. E ela segue
como uma máquina de extermínio, arrancando braços, estripando e arremessando
homens de jaqueta janela afora. Um deles é pego pela cabeça e arremessado
contra outro, que cai atirando no colega da frente. Uma coluna desaba, junto
com o teto.
Lá fora...
Uma fila de carros de polícia alvejam os que saem desesperados daquele
prédio condenado.
_ Muitos tiros, agora! Vejam aquele homem, ele foi alvejado por um
franco-atirador... parece uma guerra, gente! A notícia que temos é de um
estouro policial num ponto de narcotráfico e os BODES BRANCOS reagiram à
prisão*... agora vejam! O prédio está desabando... NOSSA SENHORA! Vejam
telespectadores...
Um sofá. Uma tv. Um homem de pijama.
Ele está sem sono. Há 6 dias que ele não dorme. Há 6 dias ele foi
INTIMADO a participar de uma missão a qual ele não tem idéia do que ela seja.
George não acredita mais que algum dia terá uma vida normal. Já sabem onde ele
mora. O que faz. É uma questão de tempo até que... não, ele não quer pensar
nisso. Desliga a tv. Segue para o quarto. Volta. Vai ver sua mãe. Ela está lá.
Deitada. Dorme. É melhor assim, deixar ela viver no seu mundinho, alheia à tudo
o que acontece. Sua sanidade anda falhando e às vezes George a pega falando
sozinha, ou com algum amigo imaginário.
Deitado na cama ele pensa no que vivera até ali . Dizem que quando se
está prestes a morrer a vida passa diante dos seus olhos, como numa
retrospectiva. Ele lembra de tempos em que era um DELES, que ainda acreditava
na pureza das coisas. Há pouco tempo essa pureza foi-lhe tirada, desde que
conheceu a literatura subversiva- a filosofia. Desde que a Oriente tornou-se
acionista das editoras de livros, nada filosófico é publicado. Nas escolas a
teoria da evolução das espécies foi abolida. A Mitologia grega e romana e as
ciências sociais também. O ocidente foi corrompido pelas fofocas de artistas e
livros de auto-ajuda. George já sentia o erro nas coisas, a manipulação, mas
não tinha forças suficientes para contrariá-la. Era longe demais...É como ele
viu num filme uma vez: ¿é tudo uma questão de escolha¿. E ele já a fez.
Definitivamente a noite será longa.
...
1:30 da manhã.
Duas horas olhando para o teto. O telefone toca. Ele não sabe como, mas
já sabe quem é.
_alô...
_é hoje, George. Cadê Amanda?
_quem?! droga!
Cai a ligação. Ele levanta e vai ao armário. Lá está ele...seu
sobretudo preto, aquele que se tornou seu amigo inseparável de tantas batalhas.
Ele o veste. Seu olhar é compenetrado... como o olhar de um cavaleiro que vai
para a batalha final. Ele sabe que desta vez não voltará vivo.
O quarto da sua mãe... lá está ela...dormindo o sono dos inocentes. O
que será dela sem mim? Ele pensa. Dá um beijo em sua testa e sai.
De carro ele percorre o caminho... mais uma vez...em direção à casa de
Amanda. Ele está preocupado. O homem que ligou perguntou onde ela estava. Eles
sabem de tudo, George!
Porta aberta. Ela não deixaria a porta aberta a essa hora, George sabe
disso.
_Olá?
Ninguém.
Ele entra.
A luz, sim, a luz.
Tudo revirado.
Mais alguns passos.
O quarto.
George conhece esse quarto.
Fotos no chão. Fotos de Amanda. E George. Sim, eles estão juntos.
Ele se agacha e pega. Uma lágrima.
A parede está suja...marcada...letras!
" É HOJE, GEORGE!"
E ele baixa a cabeça. E chora. George se tornara um boneco.
(continua...)
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* Como mencionado no episódio anterior