Olá. Sou seu informante de Smallpequenotwn de volta. O arco DECLÍNIO está próximo do fim, mas hoje ainda não vamos ter nosso herói, George e sim, vamos conhecer um pouco do maior inimigo do super-Ateu: A ORIENTE CORP.. Veremos em que nível a empresa exerce influência na vida das pessoas em pontos-de-vista dos mais distintos. Teremos a participação do nosso velho amigo RAMBO.

AS AVENTURAS DO SUPER-ATEU
Saga DECLÍNIO
Episódio 23- CORPORAÇÕES ORIENTE

Participação especial: RAMBO

"Há 30 anos as Corporações Oriente lhe traz os melhores produtos, seja em cama, mesa, banho e muito mais! Veja este exclusivo aparador de pontas de cabelo: lindo, não? Sensacional! Veja o que ele pode fazer, compre agora mesmo e mude a sua vida!"

Um quarto...
Coisas jogadas...pipoca.
Roupas no chão...
Formigas, onde havia derramado leite.
_Manhê, eu quero um aparador de pontas!COMPRA!
Loraine grita pela mãe sem tirar os olhos da tv. É apenas mais um programa publicitário da Oriente Corporation. E ela está ali há 4 horas. Sua mãe saiu à 3.

Bárbara, mãe da Loraine, é vendedora de uma das lojas do "Shopping Oriente", que fica à leste de Smallpequenotown. Ela calcula e embala as compras dos fregueses, que podem levar coisas desde as mais inocentes, como um chocolate, até um chicote para práticas sadomasoquistas. Há 15 minutos que aquela mulher mal-vestida e suja com uma criança no colo olha para aqueles pacotes de leite. Barbara já conhece essa cena e sabe que ela vai se repetir. Parece que a mulher está decidindo se vai fazer algo...e pega um pacote, enfiando-o dentro da roupa. Sem pestanejar, Bárbara pega o comunicador:
_sessão de laticínios, mulher branca com criança no colo.
E os homens de preto chegam e a seguram. Um deles sacode a mulher, que quase derruba o bebê. O pacote cai. Não há som, mas é como se Bárbara ouvisse tudo. Um deles segura o bebê, ele está aos berros, assim como a mulher. Eles saem do alcance da câmera. Bárbara tem lágrimas nos olhos, quando um policial vem com uma sacola cheia de rosquinhas e um pacote de camisinhas. Ele paga e sai.

Albert Miles, sargento da polícia privada da Oriente, não vê a hora de ir pra casa. No estacionamento do shopping ele vê uma mulher ser jogada ao chão e um bebê caindo por cima dela. Ele finge que não vê e se dirige para a viatura. Miles está cansado: desde a Grande Epidemia ele não tem sossego, sejam simples roubos e arrombamentos a tiroteios de gangues rivais, como os BODES BRANCOS e os traficantes de Massacrations Ville.

Um chamado no rádio:
_Atenção, TODAS as viaturas: tiroteio em Massacrations. Código G!
"Código G..." ele pensa. Esse é o código da mentira.Da vergonha. Pra Albert, esse é o pior tipo de diligencia... E ele arranca.

Pouco tempo depois, ele chega ao lugar. Mais um tiroteio entre traficantes... Os policiais estão acuando um grupo dentro de um prédio. Mais há outros civis do lado de fora, atirando: "são os traficantes rivais", ele deduz. "Código G". Albert pára sua viatura e vê seus colegas entrando no prédio.
_Sargento, entre no prédio com os outros. Não teremos prisioneiros.
Meio contrafeito, ele entra. Sobe as escadarias pichadas e ouve pessoas gritando.Uma mulher passa por ele desesperada. Uma criança. Morta. Aos seus pés. Menos de 5 anos. Ele recua. Está sem ar... Cansado. Cheiro de fumaça. Um homem sai do nada. Um barulho oco. Gosto de sangue na boca.

...
"A Matriz da Oriente Corp., em SmallPequenotown retorna ao funcionamento, depois de 3 meses em reformas. Falou ontem ao nosso jornal, Augustus Oriente, acionista majoritário da empresa: "Voltamos a Smallpequenotown por que vimos que em Zurich estaríamos muito distante de nossas origens. A empresa começou AQUI e sua matriz deve ser AQUI. Tivemos alguns problemas com terroristas no passado, mas creio que as medidas já estão sendo tomadas... "*zap* "A Oriente acaba de comprar mais uma empresa aérea e a gravadora Virgin, aumentando ainda mais o valor de suas ações..."*zap* "'Não dá mais pra agüentar essa onda de crimes', diz o comerciante que perdeu seu filho depois de chupar um pirulito dado pelo fugitivo conhecido como PALHAÇO ROCAMBOLE...*"
*zap* "Hospitais Oriente, onde sua saúde está bem guardada!" *zap* "Padre do bairro Massacrations é acusado de vários homicídios**... "*zap* "Tiroteio em Massacrations!, mais no jornal das 11!"


Sófocles Morrisson, o Rambo, não agüenta mais a TV. Resolve sair e fumar um cigarro. Sua filha não gosta que ele fume em casa, então, toda noite ele dá uma "saidinha" pra sustentar seu vício.

Ele está sentado na soleira da porta e olha para seu Marlboro. Rambo procura sempre comprar cigarros de marcas que não sejam da Oriente, e faz o mesmo com outros produtos. Sua raiva pela marca começou ainda quando trabalhava na contabilidade da empresa em Small. Eram contas-fantasma, lavagem de dinheiro e pior: Narcotráfico. Ninguém sabe, mas muitos dos trilhões arrecadados pela empresa vêm de uma rede MUNDIAL de narcotráfico. A polícia privada tem um código de "proteção" à eles, o CÓDIGO G, no qual os tornam intocáveis. Por que a imprensa não divulga? você pergunta. A Oriente Corp. Tem 33% das ações de todas as importantes empresas de comunicações do mundo. Em suma, o MUNDO é deles.

Rambo olha para os lados. Ele, que sempre foi calmo, hoje é um paranóico que dorme sob efeito de remédios. Todas as suas janelas têm grades e o muro é eletrificado. Nem quando era militar ele atingiu tal nível de perturbação. Ele sabe o tamanho e o PODER que a Oriente possui e não sabe como ainda está vivo. Já tentaram matá-lo, mas não conseguiram. Hoje ele é contador free-lancer, mas as coisas andam estranhas... tempos ele não pega uma empresa... Sua poupança está presa, alguns cheques voltaram. Um lembrete mental: "Amanhã passar no banco."
Mas um pensamento o desvia do outro: Eu sei demais. Droga, eu posso morrer a qualquer minuto. Eles estão quietos demais!

O cigarro termina. Sua filha, de pijama, aparece na porta:
_Papai? Vou dormir.
E ele se levanta e dá um forte abraço na filha, que a tira do chão.

* Episódios 21 e 22
**Episódio ainda inédito