Olá a todos. Sou seu correspondente em Smallpequenotown de
volta a narrar mais uma saga de George, o Super-Ateu. Essa saga, a qual chamo
"DECLÍNIO", revelará muitas coisas um tanto quanto estarrecedoras
sobre nosso herói e será o início do inevitável fim. Veremos agora o que
aconteceu com a cidade pós-Epidemia, com George, com todo mundo.
AS AVENTURAS DO SUPER-ATEU
SAGA "DECLÍNIO"
Episódio 17- PARTE 1de 2: ETERNO RETORNO
PRÓLOGO
Pessoas em frente à uma loja de televisores assistem ao noticiário.
"Esse é o 'Oriente news', o seu único canal de notícias.
O mundo respira mais aliviado depois que a ameaça de um vírus perigosíssimo foi
controlado pela ORIENTE CHEMISTRY . As cidades em quarentena voltam a funcionar
e os doentes vão sendo tratados com o coquetel vendido pelas Organizações
Oriente. Em Smallpequenotown, onde a criminalidade atinge níveis alarmantes, já
estão sendo tomadas as medidas cabíveis. Com vocês, o comissário HAVOC:
'A cidade está sob controle, há indícios de que uma gangue nova está na cidade,
mas já estamos tomando conta deles. Ninguém deve se preocupar.'
Muito bem. Voltamos às 7 horas."
...
Uma igreja.
Um confessionário.
Dois homens.
Um deles se esconde por trás de uma tênue malha cheia de pequenos furos, onde o
homem que está do outro lado pode ver apenas um vulto negro.
_diga._ uma voz embebida de tédio é ouvida. 4 horas no mesmo lugar, ouvindo
pecados de pessoas medíocres que se satisfaziam e vinham pedir perdão.
_aí, Padre, eu pequei._ Um jovem, por volta de 19 anos. Mal vestido . sorriso
irônico.
_continue..._
_é...hum...tinha uma aluna do meu colégio, sabe...ela é bem gostosinha e tal.
Fiz de tudo pra ficar com aquela vagabunda, mas ela não me dava bola...
_continue..._ a voz dava indícios que estava cansada de repetir isso a semana
inteira.
_Bem, daí eu TIVE que pegá ela à força, sabe. Mesmo sem ela querer eu comi a
megera.
_...
Um barulho é ouvido dentro do confessionário. O jovem se interrompe um pouco e
continua.
_ É...eu preciso do seu perdão.
Nenhum som.
_Então, Eu tô perdoado?
Súbito, a cortina preta se abre. E um jato de sangue molha as paredes do
confessionário. Havia um homem. Um homem com olhar de vingança. De ira.
...
Smallpequenotown se recupera aos poucos. Já havia prefeito, as escolas voltaram
a funcionar, os hospitais e a polícia, As instituições que organizam uma
sociedade. As ruas estavam limpas, as lojas voltaram a abrir e novos empregos
foram criados e as pessoas voltaram para suas casas. O escândalo com a Oriente
foi abafado, pois ela ainda detinha as posses de muitas casas, lojas, fábricas,
a imprensa e a polícia privada. As pessoas que foram reféns, mantinham um
secreto voto de silêncio, temendo represálias. Não se ouviu mais falar de
Augustus Oriente nem de seus capangas e a Filial da Oriente era mantida
fechada, assim como a fábrica de medicamentos.
George deveria receber um prêmio pelos seus feitos, assim como seus colegas Jas
e Rambo. Desses dois George não tinha notícias a um bom tempo. Ele recuperou
seu táxi que havia deixado no aeroporto durante o incidente com o terrorista* :
estava num galpão da polícia . Por incrível que pareça, George não foi autuado
pelas mortes que causou. Mais estranho ainda é a Oriente não querer vingança
por ele ter estragado seus planos. Na verdade ele apenas resgatou as pessoas do
prédio e serviu ainda como diversão para Augustus Oriente, visto que este já
havia conseguido o que queria.
Ele está fazendo uma corrida pra uma senhora neste exato momento. Ela olha para
o espelho interno e pergunta:
_Você...é ele,não é?
_senhora?
_SIM! Você nos salvou da morte!
_A senhora deve estar me confundindo com alg--
_--EU VÍ! VOCÊ LUTOU COM AQUELES HOMENS!!
O carro chega no lugar que a velha queria. Ela paga e continua:
_Muito obrigada, meu filh--
Ela não tem tempo de terminar, George arranca e deixa a velha falando sozinha.
Devido a adrenalina gerada na hora, ele sente seu estômago ferver. É uma dor
insuportável. Dessa vez ele não vai agüentar. George vai direto para o hospital
mais próximo e, com a vista escura, ele cai nas escadarias.
...
Um cheiro de éter. Pessoas de branco em volta. Um hospital. Sua memória o faz
voltar a um tempo que ele prefere esquecer. De repente ele olha para os lados
em busca de alguém que pudesse lhe dizer o que ele tinha. Quando vê uma
enfermeira:
_Ei! Você!
_Sim?_ Ela vestia um jaleco branco. Era uma moça negra, parecia ser bem jovem.
_Qual é o meu problema?
_ Você vai ficar tomando soro enquanto eu chamo o médico para conversar com
você.
_hunf._ George resmunga. Ele odeia hospitais. E quem não?
10 minutos depois chega um homem vestindo um jaleco branco, de meia-idade. Num
crachá estava escrito seu nome: Dr. Ciro Robertson.
_O senhor...George Arbusto?
_Sim. Doutor, fala logo o que eu tenho_George se impacienta com a lerdeza da
coisa.
_Bem... O senhor foi encontrado desmaiado na frente do nosso hospital.
_e...
_ Fizemos um exame de sangue de rotina no senhor e constatamos que o senhor tem
uma anomalia.
_Como assim ¿anomalia¿, é câncer?
_não constatamos nenhum carcinoma, mas nós precisaremos de novos exames. Algo
está em seu sangue, aumentando seu metabolismo. O senhor tem sentido algo
estranho, algo como uma irritação anormal?
_hmn..._daí ele lembra das cenas de combate há alguns meses atrás**.
_de vez em quando. Mas o que me dói é o estômago.
_Isso é um efeito colateral. Quando sua adrenalina aumenta no sangue, a
produção de ácido gástrico aumenta, e ela causa as dores no seu estômago.
Mas... isso é incomum demais...
_minha garganta dói, como se--
_--endoscopia. Fomos obrigado a fazê-la. Tiramos um pedaço de tecido estomacal
para uma biopsia.
_Como, sem nem me avisar?
_ O senhor ficou inconsciente por 8 horas...
_Olha, isso tá muito estranho... me diz o resultado, então.
_não há nada do que se preocupar. É só rotina. Iremos ligar pra você em breve
para lhe informar sobre o resultado.
_então, posso ir?_ Tinha algo errado. George não podia estender mais a
conversa.
_pode. Mas eu vou lhe receitar um anti-ácido e vou marcar mais alguns exames.
_Okidoky.
...
Já fazem 5 minutos que George saiu. Um celular toca no bolso de um médico. Ele
atende.
_Dr. Robertson?
_sim?
_ e então?
_METÁSTASE. 3 meses. 4, no máximo.
_ Passe no banco.
_ok.
Bar do Joe. Lugar perfeito pra jogar conversa fora, tomar
alguns e relaxar. George está no balcão tomando uma cerveja, rodeado de
pessoas.
_Esse é O cara!_ Joe, o bar-man, aponta para George falando com os outros.
_Que nada..._ George dá um tapa na sua mão, querendo disfarçar sua timidez.
_Esse cara aqui derrubou 40 ninjas armados!
_ JOE!_ dessa vez ele exagerou._Gente, não ouçam o Joe, ele fala demais!_
_ Algumas pessoas olhavam estranho para George, como se soubessem alguma coisa,
ou como se George fosse uma ameaça a atual "paz" em que viviam. Mas
estranhamente ninguém se pronunciava. Apenas um.
_hummm, ele podia entrar pra nossa equipe!_ falou um cara lá atrás vestido de
cowboy.
_Billy? É você? Há quanto tempo!_ Tem um tom de ironia nas palavras de George.
Billy e alguns caras montaram uma equipe de "super-heróis" e George
os conhece do tempo em que eles eram pacientes no manicômio.
"Billy The Kid", como ele se auto-entitulava, vem andando com aquele
jeito de cowboy:pernas abertas, mascando fumo e com as mãos nos bolsos.
_Pois é, Você será de grande ajuda pra nossa equipe.
Os caras do bar começam a rir. E o Joe, que não perde uma, manda:
_ E quem é a sua equipe, "Billy the Kid"?
_ por enquanto é só eu e o Putty, parceiro._ E quando termina ele cospe uma
saliva preta, causada pelo fumo. E volta a falar com George.
_E aí cara? Vamulá?
George que até o momento só bebia e não esboçava nenhuma reação quanto à
baboseira que aquele maluco dizia, vira a cabeça e depois dum momento de pausa,
diz:
_Amigo... eu NÃO sou super-heroi. Não quero entrar pra equipe nenhuma, Ok?
Havia uns caras jogando sinuca que, ao ouvir a conversa e depois de dar umas
gargalhadas, vão tirar onda com o cowboy; Um deles tira seu chapéu. Outro
empurra. Billy não passava de 1, 50, mas começou a peitar os caras.
_ Me devolve aí, parceiro!
_"Parceiro?!" AHAHAHAHA!! Volta pro teu velho-Oeste, tampinha!
Enquanto os outros riam, um deles pegou Billy pela gola, deixando-o
dependurado.
_ME SOLTA! LUTE COMO HOMEM!_ dizia Billy enquanto socava o vento. Os
motoqueiros se divertiam. Eram uns 5, todos vestidos a caráter: calça de couro,
bandana, barba por fazer e óculos Ray-Ban. George vendo a covardia e chateado
por terem lhe tirado aquele raro momento de paz, gira na cadeira e fala pro
primeiro:
_aí! Ô "Steppenwolf"! Tu se acha na onda, né?
_ Que?! Aquele careca falou comigo?_ Falou o que parecia ser o líder, o que
roubou o chapéu.
_Vocês se fantasiam de rebeldes, de "rock-and-rollers", mas não passam
de um bando de vagabundos arruaceiros._ e dá um gole na cerveja.
_Heheh. Temos um cara afim de plástica nessa espelunca!_ Fala o líder, chamando
os "colegas" , que rodeiam George. Billy foi arremessado contra uma
mesa, que quebra . George apenas bebe, impassível.
_Pessoal, aqui não!_ Joe adverte. Mas ele é agarrado pela gola e é arremessado
por cima das garrafas às suas costas. Os caras riem. E enquanto um deles ri,
George, com um movimento imperceptível soca seu estômago, fazendo-o cair por
cima das mesas. As Pessoas saem do bar. Os caras atacam George, que se defende
com apenas UMA MÃO. Enquanto bebe com a outra, ele defende um soco e arremessa
um deles janela afora. Ele se levanta e chuta com a faca do pé um terceiro,
fazendo-o cair atrás do balcão. Ele baixa a perna lentamente e dá um último
gole na cerveja. O cara que caíra sobre as mesas vem com um taco de sinuca e
estoura no braço de George, que dá uma seqüência de 5 socos no estômago e
termina com um upper no queixo, fazendo-o voar por cima da mesa de sinuca. O
último puxa um revólver: George aperta seu pulso, a arma cai. Ele sorri e solta
o braço do cara. O gordo soca com o outro braço, George segura seu punho
fechado e o ESMAGA; Os estalos de ossos quebrando são abafados pelos gritos do
motoqueiro:
_AHHHHHHH! SEU DESGRAÇADO!! VOCÊ ME PAGA!_ e sai correndo segurando a mão
quebrada.
George olha ao seu redor. Tudo está quebrado. Uma garrafa cai. Billy, que
estava escondido atrás duma cortina, surge perguntando onde estão os homens
para ele bater.
_Joe, toma pelos estragos. Aí, Billy, cê ta bem?
_Tô sim, mas eu ia pegar eles de jeito!
_certo, certo._ George sente seu telefone vibrar.
_Alô?_
_Sabemos quem você é. Temos uma proposta pra você, George.
continua...
(www.alteregos.blogger.com.br)